A FESTA





  Quem pensa que o forró acaba junto com o São João se engana.O intervalo é curto, dá apenas para limpar as botinas, tomar mais fôlego e cair de novo no arrasta pé. Começa o São Pedro de Itiruçu-Ba.
  Uma festa de tradição que acontece há mais de 30 anos na cidade de Itiruçu, localizada à 320 km da Capital do estado.Cidade pequena e hospitaleira, com um povo receptivo que acolhe com sorriso no rosto, licor no copo e amendoim na panela, cada turista que chega para abrilhantar a festa. E também não poderia ser diferente, a cidade é fria nessa época do ano, e para quem só a blusa de couro, e o cheiro no cangote não resolve tem muito forró e arrasta pé na praça da cidade que se transforma em um verdadeiro arraiá.
 A festa é gratuita o que chama ainda mais atenção da grande platéia que pode apreciar de perto bandas de grandes nomes e de fama nacional,como Calcinha Preta, Leonardo, Mastruz com Leite, Saia Rodada, Magníficos, Cavaleiros do Forró, Lordão entre outras. Bom também para os nossos artistas regionais que encontram estrutura física e soltam o som, dando ao público o que eles mais gostam: animação, música boa e assim todo mundo sai ganhando.
  Esse ano não vai ser diferente, a Prefeitura decidiu mais uma vez por realizar uma grande festa, com estrutura de som, palco, barracas, decoração e atrações de peso. Agora só resta você se preparar para pegar a estrada, que nós estaremos esperando.A festa está marcada para acontecer nos dias 01, 02 e 03 de Julho, lembrando que 02 de julho é feriado na Bahia e por isso não resta dúvida, sua parada será aqui.

                                                 São Pedro de Itiruçu, como tudo começou 
 Nossa história, nossas raízes – nossa cultura

 Uma festa tão conhecida, não poderia ser criada ao caso, buscamos então uma entrevista com “Dorinha” que sendo nascida e criada nessa cidade, sabe contar com precisão de detalhes como essa história começou, veja que interessante:

  - No início do ano de 1959, um grupo de amigos tendo à frente Dr. Antenor, resolveu homenagear algumas viúvas da sociedade, criaram a Festa de São Pedro no clube social, uma vez que nas cidades circunvizinhas festejava o São João. A festa era realizada na sexta, sábado e domingo mais próximo ao dia 29 de junho – Dia de São Pedro, protetor das viúvas – o ponto alto da festa era o sábado e até hoje é assim. Era no sábado também que acontecia as quadrilhaa com casais da sociedade. Naquela época Itiruçu já recebia visitantes, pessoas da capital que possuíam parentes aqui e das proximidades, mas no clube só era permitida a entrada de pessoas da sociedade e os sócios do clube. “Era uma festa da Elite”
  As pessoas de menor poder aquisitivo, que não podiam entrar no clube, saiam pela cidade comendo comidas típicas da época e bebendo licores, era comum na noite de São Pedro as viúvas da cidade acenderem fogueiras e rezarem ladainhas e depois comerem e beberem ao redor da fogueira.
   Como a festa foi ficando famosa com o passar dos anos o clube já não comportava mais o grande número de visitantes, começaram a pensar em um novo local para a realização da festa. Então no ano de 1983, tendo à frente do Executivo dois Pedros: Pedro Pimentel Ribeiro (Pedrinho) e Pedro Leite, que resolveram comemorar o aniversário de ambos em praça pública, um grande barracão coberto com palhas de coco, um palco de madeira foram montados na Praça Rafael de Oliveira (em frente a Igreja Matriz) e barraquinhas típicas ladeando a prefeitura, durante três dias as pessoas podiam se divertir a vontade. A partir da meia noite “a elite”se dirigia para o Clube Social, mas mesmo assim o barracão continuava lotado até o amanhecer do dia onde sanfoneiros da região se apresentavam. No sábado à tarde acontecia apresentações de quadrilhas para concorrerem a prêmios. No domingo à tarde era a vez dos entretenimentos tais como: paus de sebo, quebra pote, corrida de jegue (asnos) e casamento matuto.
  Em 1984, sai pela primeira vez o Bloco do Carrote. Como as camisas eram doadas por patrocinadores, o bloco não tinha fins lucrativos e todos sem distinção podiam participar. O bloco era puxado por um jegue com carrotes contendo licor, uma carroça com os noivos, amante e pais dos noivos, padrinhos, testemunhas, o padre e o delegado, participantes e os sanfoneiros desfilavam por toda a cidade acompanhados por pessoas da comunidade, saia sempre às nove horas da manhã e às onze horas encerrava no barracão com o casamento matuto e a quadrilha como festa do casamento. Este bloco saiu em três anos 84, 85 e 86, já que sua organizadora (Carminha Teixeira), moradora da cidade de Jaguaquara veio a falecer em um acidente automobilístico. A partir daí foram criados dois blocos: o “Arrebento” e o “Epysódio” mais modernos que no lugar da carroça às vezes desfilava carro de som e depois com mini-trio. Os blocos deram lugar aos grandes forrós.
 No ano de 1990, o São Pedro de Itiruçu passa a ser conhecido nacionalmente, quando o então prefeito Pedro Leite, realiza em pleno São Pedro um evento nunca visto antes na região, - O Rally da Rota do Café, com organizadores da capital e participantes de outros estados, e uma decoração belíssima de bandeirinhas, e barracas feitas de barro e palha confeccionadas pelos próprios barraqueiros da cidade. A ornamentação era sempre elaborada pelo saudoso Adé Ribeiro. Aquele São Pedro contou com o Super Som Lordão, hoje Banda Lordão, a Banda Vera Cruz do Sul da Bahia, Cacau com Leite, Banda Novo Tempo de Maracás cujo alguns componentes formam a Banda Me Leva de hoje e grandes forrozeiros da região. Naquele ano houve concurso de quadrilhas com participantes de cidades vizinhas. Daí por diante o São Pedro de Itiruçu ganhou fama nacional.
  No ano de 1993, o então prefeito Pedrinho, tendo como vice Pé Duro, vendo que o barracão ao lado da prefeitura não tinha mais como comportar o grande número de visitantes, optou por transferir a festa para a Praça Vivaldo Bastos e trouxeram atrações conhecidas na época nacionalmente como o sanfoneiro Naldinho do acordeom e outras atrações. O São Pedro do clube foi abolido e todos passaram a se divertir igualmente. Naquele ano a ornamentação foi elaborada pela professora Diana Di Giantomasso Souza e equipe do IED.
Em 1994, com a praça do Mercado Novo inaugurada, a festa foi transferida definitivamente para lá já que o espaço é maior, não necessitando modificar o trânsito nos dias da festa como no passado. A partir do ano de 1994 a festa passou a ter outra dimensão, nomes famosos como Zé Duarte e Fagner, forrozeiro como Edgar Mão Branca e bandas como Mastruz com Leite e outras passaram a abrilhantar nossas festas. As tradicionais barraquinhas de barro e palha de coco deram lugar a barracas estilizadas – toldos, camarotes passaram a fazer parte da organização tirando assim parte de sua originalidade, mesmo assim a tradição não tende a acabar.
Por fim, a partir de 2009, com outra administração a festa continuou a crescer tendo grandes nomes na sua programação: foi à vez da banda Calcinha Preta ser protagonista, seguindo em 2010 com Leonardo. 

     Esse foi apenas uma apanhado geral dessa história que com certeza tem outras grandes e interessantes ramificações.
" - Mesmo com tantas inovações a tradição não se perderá no tempo jamais. Os dias reservados aos Festejos de São Pedro, faz parte da nossa cultura a alegria, bem como as festas de Santo Antônio (padroeiro da cidade), São João (no Distrito de Upabuçu e Feto), e a ressaca do São Pedro (Povoado de Várzeas) e assim continuará sendo, é história, está sacramentado!”. Afirma Dorinha,coordenadora da Vila Junina


São Pedro de Itiruçu - São João do Nordeste